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FIDES VIVA

2 de outubro

Santos Anjos da Guarda

Quem são e o que fazem os anjos que acompanham cada pessoa

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Capítulos
  1. 0:00A noite em que a cela se encheu de luz
  2. 4:21Uma criança no meio e o rosto do Pai
  3. 8:39Um poema em Cantuária, um sermão em Claraval
  4. 12:36A bofetada, o verso de ouro e o arcanjo
  5. 15:31Como nasceu o 2 de outubro
  6. 16:30Uma carta a Babbo e sinos em Madri
  7. 20:13O que a Igreja guarda
  8. 21:12Até a hora da morte

À noite, em Jerusalém, alguém bate à porta de uma casa onde se reza por Pedro. Uma moça reconhece a voz dele e corre para avisar, sem abrir. Lá dentro, a resposta vem tranquila, como algo já sabido: deve ser o anjo dele.

É a certeza que a Igreja celebra a cada 2 de outubro, na memória dos Santos Anjos da Guarda: o dia em que ela os recorda na missa e na oração. Quando crianças, muitos rezaram a eles o «Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador». A Igreja crê que essa proteção envolve cada vida, desde o seu início até a hora da morte.

O 2 de outubro tem a sua razão de ser. Há uma ajuda real que a Igreja reconhece nos anjos. E o Padre Pio deixou por escrito o dia em que repreendeu o seu anjo por ter chegado tarde.

Mas a primeira pergunta continua diante daquela porta fechada: o que sabiam aqueles cristãos para responder assim?

A noite em que a cela se encheu de luz

Pedro está preso por ordem do rei Herodes, que pretende apresentá-lo ao povo assim que o dia chegar. A Igreja da cidade ainda é pequena, e agora está ameaçada. Enquanto as ruas dormem, essa comunidade não para de orar a Deus por ele. A oração é tudo o que ela tem nas mãos.

Na cela não há luz. Pedro dorme entre dois soldados, preso com duas correntes. Do outro lado da porta, outros guardas vigiam. Ao amanhecer vão tirá-lo dali, e mesmo assim ele dorme.

Nessa escuridão aparece um anjo do Senhor, e a cela se enche de luz. O anjo toca Pedro no lado, o desperta e lhe diz: «Levanta-te depressa!». As correntes caem.

O que vem depois são ordens simples, dessas que se dão a qualquer um antes de sair de casa: «Veste-te e calça as sandálias». E depois: «Põe o teu manto e segue-me». Pedro obedece. Vai atrás do enviado pensando que está tendo uma visão.

Passam pela primeira guarda. Passam pela segunda. À frente fica o portão de ferro que dá para a cidade. E o portão se abre sozinho. Saem. Percorrem juntos uma rua. De repente, o anjo já não está ali.

Pedro fica sozinho na rua escura, com o manto sobre os ombros. Então entende que não sonhou nada, e diz: «Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo».

A Igreja sempre verá naquela noite um sinal de que os anjos a guardaram desde os seus primeiros passos.

Com essa certeza, Pedro vai procurar os seus. Vai à casa de Maria, mãe de João Marcos, onde muitos continuam reunidos em oração, e bate à porta. Do outro lado se aproxima uma moça, Rode. Ela escuta. Reconhece a voz. É tanta a sua alegria que não abre: corre para dentro para dar a notícia, e Pedro fica do lado de fora, batendo.

Lá dentro, ninguém acredita nela. «Estás louca!», dizem. Rode insiste: é ele, está à porta. E os reunidos respondem: «Não é ele; é o anjo dele».

Dizem isso sem parar para explicar, como quem fala de algo sabido. Enquanto isso, Pedro continua batendo. Quando finalmente abrem e o veem ali diante deles, ficam assustados. Ele lhes conta como o Senhor o tirou da prisão. Depois vai para outro lugar.

Naquela noite, o portão de ferro se abriu sozinho, e a porta de uma casa amiga demorou a se abrir. A certeza que se disse entre uma porta e outra tinha sua raiz numa palavra de Jesus, pronunciada com uma criança no meio dos seus discípulos.

Uma criança no meio e o rosto do Pai

Em Cafarnaum, junto ao lago da Galileia, os discípulos se aproximam de Jesus com uma pergunta: «Quem é o maior no Reino dos Céus?».

Jesus não lhes responde com um nome. Chama uma criança e a coloca no meio deles. Depois lhes fala com o pequeno ali, à vista de todos: «Em verdade vos digo: se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Portanto, aquele que se fizer pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. E quem acolhe em meu nome uma criança como esta, é a mim que acolhe».

A resposta sobre quem é o maior está de pé diante deles.

Com a criança ainda ali, Jesus acrescenta uma advertência: «Cuidado para não desprezardes um só destes pequeninos, porque vos digo que os seus anjos, nos céus, estão sempre vendo o rosto do meu Pai celeste».

Logo em seguida lhes fala de um pastor que deixa as noventa e nove ovelhas para ir procurar a única que se perdeu. E termina assim: «não é da vontade do vosso Pai que está nos céus que se perca nem um só destes pequeninos».

Esses anjos têm o olhar posto em Deus e, ao mesmo tempo, guardam quem ninguém leva em conta. É a palavra que aqueles cristãos de Jerusalém traziam consigo quando falaram do «anjo dele».

A Igreja não deixou que essa palavra se perdesse. Séculos depois, na Capadócia, no coração da atual Turquia, o bispo Basílio de Cesareia a põe por escrito: «Cada fiel tem ao seu lado um anjo como protetor e pastor, para conduzi-lo à vida».

Basílio pensava no fiel, no cristão. Outra voz da mesma época, a de São Jerônimo, grande estudioso da Escritura, olha ainda mais para trás, até o primeiro dia de cada vida.

Ao comentar esse mesmo Evangelho, Jerônimo se detém, admirado: «Grande é a dignidade das almas, quando cada uma delas, desde o momento em que nasce, tem um anjo destinado à sua guarda».

As duas vozes convivem dentro da Igreja.

O que Basílio e Jerônimo escreveram, a Igreja continua ensinando hoje com palavras claras. Ela professa que os anjos existem, e o faz como verdade de fé: algo que faz parte daquilo em que crê, e não uma opinião piedosa. São espíritos sem corpo, com inteligência e vontade, pessoais e imortais.

A palavra «anjo» não diz o que eles são, mas o que fazem. É o nome da sua função: servir a Deus e levar as suas mensagens. E no centro desse mundo invisível está Jesus Cristo. Os anjos pertencem a Ele e a Ele servem.

A Igreja ensina também que a vida humana, desde o seu primeiro instante até a morte, está cercada pela proteção e pela intercessão deles, isto é, pelo seu cuidado e pela sua oração. Por isso essa devoção nasce na infância e acompanha o idoso tanto quanto a criança.

Que cada pessoa tenha o seu próprio anjo é algo que a Igreja crê e ensina desde os tempos antigos, com palavras como as de Jerônimo, embora nunca o tenha proclamado dogma. E as asas e a túnica branca das imagens são a linguagem da arte para falar do invisível, nunca o retrato de alguém.

Essa proteção chega até a última hora. Antes dessa hora há uma vida inteira, e ainda faltava dizer como se reza a esse guardião e que ajuda ele dá. No século doze, isso foi dito num poema de monge e num sermão de Quaresma.

Um poema em Cantuária, um sermão em Claraval

Em Cantuária, um monge beneditino chamado Reginaldo escreve em versos a vida de Malco, um santo dos primeiros séculos cristãos. No meio dessas páginas, ele se detém e deixa algo mais pessoal: um poema dirigido ao seu próprio anjo da guarda.

O que em Jerusalém se tinha dito de outro, «é o anjo dele», o monge agora diz de si mesmo. Seus primeiros versos chamam o anjo de «meu guardião», com palavras muito próximas da oração que muitas crianças aprendem antes de qualquer outra.

«Angele Dei, qui custos es mei»: Anjo de Deus, que és o meu guardião. É assim que essa oração começa em latim. E logo em seguida pede quatro coisas que cabem num único dia: ilumina-me, guarda-me, rege-me e governa-me — os mesmos pedidos que, em português, se rezam no «Santo Anjo do Senhor».

Durante muito tempo se repetiu que aquelas palavras eram de Santo Anselmo, que vivia em Cantuária nos mesmos anos. O mais provável é que tenham nascido do poema de Reginaldo, e a mão que lhes deu a forma final continua sem nome. A oração, por sua vez, passou de boca em boca e chegou a muitas línguas.

Nesse mesmo século, na abadia de Claraval, um abade dedica uma Quaresma inteira a um único salmo. É Bernardo, e ele prega aos seus monges dezessete sermões sobre esse salmo. Num deles, ele se detém no versículo que diz que Deus deu ordens aos seus anjos para que guardem o justo em todos os seus caminhos.

Esse versículo tem uma história incômoda: é o mesmo que o diabo usou para tentar Jesus. Bernardo o lê de modo oposto ao do tentador.

Ele se admira do que Deus fez pelo homem, e diz isso ao próprio Deus: «envias-lhe o teu Unigênito, diriges a ele o teu Espírito, prometes-lhe a tua glória». Depois do Filho, Jesus Cristo, e depois do Espírito, Deus ainda coloca os seus anjos ao lado do homem, porque «o céu não negligencia nada que possa nos ajudar».

Que ajuda dá, então, um anjo da guarda? Bernardo responde com três palavras. Reverência, pela sua presença. Devoção, pela sua benevolência. Confiança, pela sua proteção. E a primeira ele leva até onde ninguém olha: «Em qualquer parte, em qualquer lugar, mesmo no mais escondido, tenha reverência pelo seu anjo da guarda».

Quando chega a tentação, ele aconselha invocar o anjo da guarda. E, diante de um caminho longo e cheio de perigos, faz aos seus monges uma pergunta: «Fiéis são, prudentes são, poderosos são. Por que trememos?».

Por isso a Igreja chama Bernardo de grande mestre dessa devoção. Todo 2 de outubro, a Igreja volta a ler um trecho daquele sermão na Liturgia das Horas, a oração que ela distribui ao longo do dia. É um dia que Roma levaria séculos para colocar no seu calendário.

A ajuda que a Igreja descreve hoje tem o mesmo tom da de Claraval. Consiste na gratidão a Deus, na compostura de quem se sabe acompanhado e numa confiança serena quando chegam as dificuldades.

Bernardo pedia reverência até no canto mais escondido. De uma esposa e mãe de Roma, séculos mais tarde, contariam que o anjo dela não a deixava esconder nada.

A bofetada, o verso de ouro e o arcanjo

O que o abade pregava no seu claustro, Francisca viveu em Roma, no século quinze. Era casada e teve três filhos. O confessor dela, o padre João Mattiotti, e aqueles que depuseram quando se examinou a sua santidade contaram que ela tinha um anjo da guarda, e que esse anjo às vezes a corrigia com um golpe.

Certa tarde, Francisca está numa reunião de moças elegantes. A conversa se volta contra os ausentes, e começam as calúnias contra outras pessoas. Ela escuta e se cala. Não tem coragem de defender ninguém nem de se levantar e ir embora.

De repente, ouve-se uma bofetada. Todas se viram. Quem está com o rosto vermelho é Francisca.

Em outra ocasião, é do confessor que ela quer esconder alguma coisa. Um golpe lhe inclina a cabeça até o chão, e quem se assusta é o sacerdote.

Esse mesmo anjo também sabe recompensar. Francisca reza o Ofício de Nossa Senhora, uma série de salmos e orações em honra da Mãe de Jesus. No meio de um verso, alguém a chama. Ela deixa o livro, atende sem uma queixa e volta à sua oração.

Voltam a chamá-la, no mesmo verso. E de novo. E mais uma vez. São quatro vezes. Na quarta, quando volta, encontra aquele verso escrito no seu livro com letras de ouro.

Depois morre o filho dela, Evangelista, ainda menino.

Passa-se um tempo. Um dia, o menino aparece a ela envolto numa grande luz. Não vem sozinho: ao lado dele há outro jovem, ainda mais resplandecente. Evangelista diz à mãe que aquele será a companhia dela de dia e de noite.

É um arcanjo. O rosto dele brilha mais que o sol, tanto que, normalmente, Francisca não consegue olhar para ele.

Quando os demônios a maltratam demais, o arcanjo faz um gesto com a cabeça e com os olhos, e eles fogem. Muito tempo depois, um frade capuchinho contaria numa carta uma luta parecida.

O arcanjo acompanha Francisca por cerca de vinte e quatro anos. Ao fim desses anos, Francisca vê o Senhor colocar no arcanjo uma guirlanda de oliveira. E o arcanjo se ajoelha diante do Senhor e lhe agradece por tê-lo deixado cuidar de Francisca.

Aquela mulher rezava numa cidade que havia séculos invocava os anjos. E, no entanto, no calendário da própria Roma, nenhum dia do ano era dedicado ainda aos anjos da guarda.

Como nasceu o 2 de outubro

Roma já rezava aos anjos na sua missa muito antes de ter esse dia.

A súplica já existia. Um dia próprio, ainda não.

E a festa nasce de baixo para cima. Em 1579, a Igreja de Córdoba escreve a Roma para pedir um dia para os anjos da guarda, e outras cidades da Espanha pedem o mesmo.

Primeiro, Roma permite a festa, mas deixa cada igreja livre para celebrá-la ou não. Em 1670, o papa Clemente X a estende a toda a Igreja e lhe dá uma data: o primeiro dia livre depois da festa de São Miguel, celebrada em 29 de setembro. Esse dia é o 2 de outubro.

No começo do século vinte, um frade capuchinho do sul da Itália escrevia cartas sobre aquilo que essa festa celebra: o seu próprio anjo.

Uma carta a Babbo e sinos em Madri

Aquele frade é o Padre Pio de Pietrelcina. As suas cartas mais íntimas vão para o seu diretor espiritual, o padre Agostino, a quem ele chama de «Babbo», que em italiano quer dizer papai. Uma delas conta o que lhe aconteceu certo dia com o seu anjo.

Os espíritos malignos o espancam, e às vezes o Padre Pio se sente perto da morte. Num sábado, ele acha que desta vez vão acabar com ele. Escreve: «Já não sabia a que santo recorrer; voltei-me para o meu anjo». O anjo o faz esperar um pouco. Por fim aparece, conta o frade, «esvoaçando ao meu redor e cantando hinos à Divina Majestade com a sua voz angelical».

O que vem depois ele mesmo chama de «uma daquelas cenas de sempre». O frade grita com o anjo, duramente, por tê-lo feito esperar tanto. Para castigá-lo, não quer olhá-lo no rosto. Quer se afastar, fugir, se esconder dele.

«Mas ele, coitadinho, chegou perto de mim quase chorando».

O anjo o segura. Só quando o frade ergue os olhos é que vê o rosto dele «todo aflito». E ouve o que o anjo lhe diz: «Estou sempre junto de ti… o meu afeto por ti não se extinguirá nem com a tua vida».

Um homem exausto reclama e se esconde. Aquele que foi enviado para guardá-lo se aproxima e promete ficar.

Com a mesma franqueza, o Padre Pio escreve a uma senhora que ele orienta por carta, Raffaelina Cerase. A ela confessa que trata o seu anjo «como alguém da família», e que o anjo não se ofende de modo algum. E a Raffaelina deixa um pedido: «Não te esqueças deste companheiro invisível, sempre presente para te escutar».

Alguns anos depois, a festa deixa a sua marca em outra vida, desta vez em Madri. É terça-feira, 2 de outubro de 1928: o dia dos Anjos da Guarda. Um jovem sacerdote, Josemaria Escrivá, está fazendo exercícios espirituais, alguns dias de retiro em silêncio e oração. Está hospedado na residência dos Lazaristas, os missionários de São Vicente de Paulo.

Naquela manhã, celebrou a missa. Depois volta às suas anotações, os papéis onde vinha registrando o que sente que Deus lhe pede. E, enquanto os lê, a luz chega. Ele mesmo deixou escrito: «Recebi a iluminação sobre toda a Obra, enquanto lia aqueles papéis».

Essa Obra é o Opus Dei, que significa «obra de Deus». O sacerdote se ajoelha e dá graças.

Mais tarde, ele se lembrará do som daquele momento. Os sinos da paróquia vizinha, Nossa Senhora dos Anjos, repicavam pela festa.

Josemaria resistia a fundar o que quer que fosse. A partir daquele dia, porém, começa a lançar os alicerces.

Uma devoção tão viva precisava também de cuidado. Em meados do século vinte, em Innsbruck, nasceu um movimento que começou a dar aos anjos nomes e funções, e a Igreja teve de se pronunciar.

O que a Igreja guarda

Aquele movimento nasceu em torno de uma mãe de família, Gabriele Bitterlich, e recebeu este nome:

«Opus Angelorum».

Em 1992, a Santa Sé declara que as teorias do movimento sobre os nomes e as funções dos anjos são alheias à Escritura e à Tradição. A associação obedece: abandona essas teorias, e os seus estatutos são aprovados. A Igreja não apagou aquela devoção: reconduziu-a ao seu rumo.

A Igreja só conhece o nome de três anjos: Miguel, Gabriel e Rafael, o companheiro de Tobias. Quem procura o nome secreto do seu anjo encontra algo mais simples: um companheiro enviado por Deus.

Na missa da memória, lê-se a promessa de um anjo enviado à frente de um povo a caminho.

Até a hora da morte

O sacerdote abre essa missa com a oração própria do dia: «Ó Deus, que em vossa admirável providência enviais os vossos santos anjos para nos guardar, concedei-nos contar sempre com a sua proteção e gozar eternamente da sua companhia».

Depois da promessa do anjo que vai à frente do povo, proclama-se o evangelho da criança que Jesus colocou no meio dos discípulos. Voltam a soar as suas palavras sobre os pequenos e sobre os seus anjos, que veem sempre o rosto do Pai. O que foi dito em Cafarnaum volta a ser ouvido na missa da memória.

O que a Igreja pede no altar, muitas famílias pedem em voz baixa. Ao se levantar e ao se deitar, rezam «Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador». Às vezes unem essa oração ao Ângelus, a oração que recorda o anúncio do anjo à Virgem Maria.

No Brasil, o cardeal Orani Tempesta, arcebispo do Rio, recorda essa oração ao apresentar a memória dos Santos Anjos da Guarda e pede que seja ensinada a filhos e netos.

A companhia chega também à última hora. Quando alguém agoniza, a Igreja pede que os espíritos celestes venham em seu auxílio. Junto a uma cama, entre uma vela e mãos que rezam, repete-se o que fazia aquela casa de Jerusalém que não parava de orar por Pedro.

Nas exéquias, junto ao círio pascal, a chama que representa o Cristo ressuscitado, a Igreja se despede do falecido com um canto antigo:

«In Paradisum deducant te angeli»: que os anjos te conduzam ao paraíso. E pede também que guardem o seu sepulcro.

Santo Tomás de Aquino ensinava que o anjo da guarda não se separa de nós depois da morte, mas permanece conosco no céu. Os anjos não têm corpo, e por isso não existe túmulo de anjo para visitar nem relíquia para venerar. O seu lugar é o rosto do Pai e o caminho de cada pessoa até ele.

A proteção que acompanha a vida desde o seu começo chega aonde o anjo sempre esteve olhando: ao rosto do Pai.

Pai de misericórdia, que encarregastes os vossos anjos de nos guardar em todos os nossos caminhos e quisestes que os anjos dos pequenos contemplassem sempre o vosso rosto: por Jesus Cristo, vosso Filho, centro do mundo dos anjos, concedei-nos viver cada dia com gratidão, reverência e serena confiança sob a proteção do nosso anjo da guarda; que ele nos sustente na tentação e na noite, e que na hora da nossa morte nos conduza até vós, para gozarmos eternamente da sua companhia na vossa presença. Por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

Fontes

Fontes primárias

  • Sociedades Bíblicas Unidas, Hechos 12,5-17, Dios Habla Hoy (1994) bible.com
  • San Bernardo de Claraval, Sermón 12 sobre el salmo 90 (s. XII; BAC, Obras selectas, 1947) mercaba.org
  • San Pío de Pietrelcina, Epistolario I y II, cartas 64, 102 y 112 (1914-1915), en W. Wagner, Padre Pio and the Guardian Angel (1993) — Opus Sanctorum Angelorum
  • San Josemaría Escrivá, apuntes del 2 de octubre de 1928, en J. Asenjo Sedano, «2 de octubre de 1928» (2010) — opusdei.org

Fontes hagiográficas e tradição

  • Dom Prosper Guéranger, L'Année liturgique, «2 de octubre: los Santos Ángeles Custodios» (s. XIX) — Sensus Fidelium
  • Sor Lucía de Jesús, Memorias, según «10 de junho: o anjo da paz e de Portugal» (2026) — opusdei.org/pt-pt
  • Abel Camasca, «Esto hacían los arcángeles de la guarda de Santa Francisca» (2024) — ACI Prensa
  • Philip Kosloski, «Who composed the “Angel of God” Prayer?» (2017) — Aleteia

Documentos e estudos

  • Santa Sede, Catecismo de la Iglesia Católica, nn. 328-336 (1992/1997) — reproducción en mercaba.org
  • Congregación para el Culto Divino, Directorio sobre la piedad popular y la liturgia (2002) — vatican.va; es.catholic.net
  • Congregación para la Doctrina de la Fe, «The Opus Sanctorum Angelorum» (2011) — vatican.va
  • Papa Francisco, «We all have an angel», meditación del 2-X-2014 — vatican.va
  • SNPLS (Conferencia Episcopal Francesa), «Mémoire des saints anges gardiens, le 2 octobre» (2017) — liturgie.catholique.fr
  • Misal Romano, edición latinoamericana, 2 de octubre — curas.com.ar
  • T. Gilmartin, «Feast of Guardian Angels», Catholic Encyclopedia 7 (1910) — newadvent.org
  • H. Pope, «Guardian Angel», Catholic Encyclopedia 7 (1910) — newadvent.org
  • Vatican News, «Ss. Angeli custodi» — vaticannews.va
  • Card. Orani João Tempesta, «Santos Anjos da Guarda» (2025) — CNBB
  • Arquidiócesis de México, «Santos Ángeles Custodios», calendario (2022) — arquidiocesismexico.org.mx
  • Ángel Olivera Miguel, «Santos Ángeles Custodios» (2026) — dominicos.org

Contexto contemporâneo

  • COPE, «La Policía Nacional celebra su patrón, los Ángeles Custodios» (2023) — cope.es
  • E. Fernández Barallobre, «99 años del Santo Ángel de la Guarda, como patrón de la Policía Española» (2025) — Asociación de Militares Españoles
  • M. Rivera, «Yabucoa, Puerto Rico» — topuertorico.org
  • Aleteia, titulares del 27-IX-2026 sobre León XIV — aleteia.org

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quinta-feira, 29 de outubro · Evangelho

Jesus segue para Jerusalém e chora sobre a cidade que mata os profetas

Naquele tempo, no mesmo dia, aproximaram-se alguns fariseus e disseram a Jesus: “Sai e vai embora daqui, porque Herodes quer matar-te”. Ele lhes disse: “Ide dizer a essa raposa: Eis que expulso demônios e realizo curas…