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FIDES VIVA

22 de outubro

João Paulo II

O papa polonês que foi operário de pedreira e perdoou quem o baleou

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Capítulos
  1. 0:00Pó de pedreira
  2. 4:09Por que não eu?
  3. 8:32Vidros quebrados
  4. 12:12Beijar a terra
  5. 15:42A cidade sem Deus
  6. 18:37De par em par
  7. 23:04Irmão
  8. 26:02A bala e a coroa
  9. 30:05Jesus, confio em Vós
  10. 33:37A casa do Pai
  11. 37:56Santo subito
  12. 41:51Estou me sentindo bem

Karol Wojtyła tem vinte anos e as mãos brancas de pó de pedra. Trabalha numa pedreira de Cracóvia porque, sob a ocupação nazista, um emprego de operário é o que impede que ele seja deportado para trabalhos forçados na Alemanha. Um dia, uma carga explode e as pedras matam um colega. O velho encarregado da dinamite, a quem ele ajuda, às vezes se vira para ele e diz «Karol, você devia ser padre». O rapaz continua no seu trabalho. Num dia de inverno, ele volta do trabalho e o pai já não está vivo. Não lhe resta ninguém da família.

Em outubro de 1978, esse mesmo homem, já João Paulo II, está diante de uma Praça de São Pedro lotada e pede ao mundo que perca o medo e deixe Cristo entrar.

Pó de pedreira

Toda manhã daquele outono de 1940, o operário de vinte anos caminha a meia hora que separa o bairro de Dębniki da pedreira de Zakrzówek. Ele deveria estar nas salas de aula da Universidade Jaguelônica, mas os alemães a fecharam depois de deportar seus professores. Agora sua única proteção é esse trabalho, porque quem não tem um pode acabar num trem rumo à Alemanha.

Na pedreira, os capatazes poloneses procuram poupar os estudantes das tarefas mais pesadas. Ele é posto como ajudante do velho que prepara as cargas de dinamite para partir a rocha. O velho gosta da voz do rapaz e, às vezes, lhe diz que o lugar dele é o altar, que ali ele cantaria bem. É nessa pedreira que explode a carga que mata aquele colega. Karol fica profundamente comovido, e daqueles meses entre as rochas vai nascer um poema que ele intitula «A Pedreira».

Mas o inverno traz outro golpe. Em 18 de fevereiro de 1941, ao voltar do trabalho, ele encontra o pai morto, e guarda aquele dia na memória com toda a nitidez. Era o último que lhe restava da família. Olga, a irmã, morreu antes de ele nascer. A mãe, Emília, partiu quando ele mal tinha nove anos e ainda não tinha feito a Primeira Comunhão, e pouco depois ele perdeu também Edmund, o irmão médico. Ficar sem o pai foi como ser arrancado do chão em que tinha crescido.

A família do seu amigo Juliusz Kydryński, colega de pedreira, o cerca de cuidados e de carinho. E, no apartamento vazio, voltam as noites de antes.

Desde que ficou viúvo, o pai, um militar de vida austera, vivia em oração constante. Algumas noites o menino acordava e o via ajoelhado, como na igreja. Os dois nunca falaram de vocação. Aquele exemplo foi para ele uma espécie de seminário doméstico, o primeiro que teve.

Um ano depois de começar na pedreira, Karol é transferido para o depurador de água da fábrica Solvay. Os colegas sabem que ele é estudante e, nos turnos da noite, deixam que ele leia enquanto vigiam por ele. Com o tempo, ele vai batizar os filhos daqueles operários e celebrar o funeral de muitos deles. Ele chamou aquela fábrica de seu verdadeiro seminário, ainda que clandestino.

Nesse apartamento de Dębniki, onde já não resta nenhum Wojtyła além dele, instalam-se então seu antigo professor de Wadowice e a esposa, e com eles chega à casa um teatro que é preciso esconder.

Por que não eu?

O apartamento onde Karol tinha ficado sozinho agora se enche de vozes que falam baixo. Mieczysław Kotlarczyk, o professor de polonês que o tinha levado para o teatro em Wadowice, mora ali com a esposa. De dia, ele trabalha nos bondes e Karol, na fábrica. Ao cair da tarde, os dois preparam juntos o que chamam de teatro da palavra viva, quase sem cenário, só o poema dito em voz alta diante de poucos convidados de confiança. Se as autoridades da ocupação os descobrirem, o castigo pode ser um campo de concentração.

A paixão de Karol pelo palco vinha do colégio. Em Wadowice, o professor de religião o encarregou de dar as boas-vindas ao arcebispo de Cracóvia, Adam Stefan Sapieha, que visitava a paróquia. Depois do discurso, o arcebispo quis saber o que o rapaz ia estudar. Responderam que seria filologia polonesa, e Sapieha comentou, «Pena que não seja teologia». O que fascinava Karol eram os livros e o palco.

Mas na paróquia salesiana do bairro, de onde os ocupantes levaram quase todos os religiosos, é um alfaiate, Jan Tyranowski, quem reúne os jovens nos grupos do Rosário Vivo. Ele dizia que o seu ofício facilitava a vida interior. É ele quem coloca nas mãos de Karol São João da Cruz e Santa Teresa d'Ávila, dois místicos espanhóis do século dezesseis.

Então uma dúvida toma conta de Karol. Será que um amor excessivo a Maria pode afastá-lo de Cristo? A resposta ele encontra num livro de São Luís Maria Grignion de Montfort, e fecha aquelas páginas convencido de que Maria, longe de afastar de Cristo, leva até Ele quem vive o mistério dela.

Totus tuus, «sou todo teu», são as duas palavras latinas que ele toma de uma fórmula daquele livro. A devoção a Nossa Senhora ele trazia desde menino. Por volta dos dez anos, tinha recebido o escapulário do Carmo, um pequeno pedaço de tecido que se usa sobre o peito como sinal de pertença a Maria, e já idoso ainda o usava.

Enquanto isso, em plena guerra, uma luz interior vai ficando para ele cada vez mais clara. Karol a põe em palavras simples, «O Senhor quer que eu seja sacerdote». Um dia ele a percebe com toda a clareza, como uma iluminação dentro de si, e lhe vêm alegria, segurança e uma paz enorme.

Ao mesmo tempo, pensa nos colegas de classe de Wadowice, vários deles judeus, mortos na frente de batalha, nos campos ou nas deportações. Se tantos perdem a vida, ele se pergunta «por que não eu?». E conclui que continuar vivo não é obra do acaso.

O teatro o marcou, mas ele já entende que essa não é a sua vocação. Para deixá-lo, encontra apoio no exemplo de frei Alberto Chmielowski, um pintor de Cracóvia que perdeu uma perna lutando pela Polônia na insurreição de 1863 e deixou a arte para viver entre os pobres de um abrigo da cidade.

No outono de 1942, ele toma a decisão. Bate à porta do seminário de Cracóvia, que funciona escondido dos ocupantes, e é recebido pelo reitor. Tudo deve ficar em segredo absoluto, até diante das pessoas mais próximas. Começa a estudar teologia numa faculdade também clandestina, sem largar o trabalho na Solvay.

O seminário em que acaba de entrar não tem prédio. Em muitas manhãs, o ponto de encontro é a capela particular do arcebispo.

Vidros quebrados

Jerzy Zachuta, outro seminarista clandestino, ajuda junto com Karol em algumas manhãs na missa do arcebispo, na residência dele da rua Franciszkańska. Naquela manhã, Karol serve ao altar sem ele e, ao terminar, sai à sua procura.

Na casa do colega, no bairro de Ludwinów, ele recebe a notícia. Na noite anterior, a Gestapo, a polícia secreta dos ocupantes, o levou. Pouco depois, o nome de Zachuta aparece na lista de poloneses destinados ao fuzilamento.

O perigo atinge também o arcebispo. Desde setembro de 1944, os seminaristas vivem escondidos na própria residência dele, e o arcebispo Sapieha se expõe a represálias severas. Antes disso, ele mesmo já tinha resolvido outra dúvida que Karol carregava. Atraído pelos místicos que o alfaiate Tyranowski lhe tinha dado para ler, o jovem tinha pensado em se tornar carmelita, frade de uma ordem dedicada à oração. O arcebispo encerrou a questão com poucas palavras, «É preciso terminar primeiro o que se começou». E assim foi.

Na noite de 18 de janeiro de 1945, o Exército Vermelho chega aos arredores de Cracóvia. Os alemães se retiram e explodem a ponte Dębnicki, a do bairro onde Karol morava com o pai. A onda da explosão quebra todos os vidros da residência enquanto os seminaristas rezam na capela com o arcebispo. Na manhã seguinte, eles se apressam em consertar os estragos.

Em primeiro de novembro de 1946, dia de Todos os Santos, Sapieha o ordena sacerdote naquela mesma capela. Ordena só a ele, diante de poucos parentes e amigos.

Canta-se o Veni Creator, o hino com que a Igreja invoca o Espírito Santo, e depois a ladainha de todos os santos, a longa súplica a todos eles. Enquanto isso, Karol permanece estendido no chão em forma de cruz, até que o arcebispo lhe impõe as mãos. Nesse dia, ele se lembra de Jerzy Zachuta, o colega que não voltou à missa, como de um irmão unido por Cristo ao mistério da sua morte.

Aquela prostração marcou para sempre o seu jeito de ser sacerdote. Meio século depois, para esse aniversário, ele vai contá-la em Dom e Mistério, o livro em que narra a sua vocação.

No dia seguinte, dia de Finados, ele celebra as suas três primeiras missas na cripta de São Leonardo, sob a catedral de Wawel, junto aos túmulos dos reis da Polônia. A madrinha dele está presente. Ao lado de Karol, no altar, está o padre Kazimierz Figlewicz, que o tinha feito coroinha em Wadowice e que o confessou naquela mesma catedral, vazia, em primeiro de setembro de 1939, o dia em que a guerra começou.

O arcebispo tinha escolhido o dia da ordenação porque o jovem sacerdote precisava partir logo para Roma, a fim de continuar os estudos.

Beijar a terra

Roma lhe dá os estudos e também um caminho de volta. No fim de outubro de 1947, o jovem sacerdote volta da Bélgica, onde passou o verão entre emigrantes e mineiros poloneses, e para em Ars, um povoado da França. É domingo, festa de Cristo Rei. Ele entra na velha igrejinha onde São João Maria Vianney, o santo Cura d'Ars, atendia confissões, e sai convencido de que, no confessionário, um sacerdote cumpre uma parte essencial da sua missão.

No verão de 1948, já de volta à Polônia, ele recebe o seu primeiro destino, uma paróquia rural. Chega de ônibus até Gdów, um camponês o leva na sua carroça e ele segue a pé por um atalho, entre campos de trigo em plena colheita. Ao pisar as terras da paróquia de Niegowić, ajoelha-se e beija o chão, o gesto que aprendeu com o Cura d'Ars. Na igreja, para primeiro diante do Santíssimo, o pão consagrado que se guarda no sacrário, e só depois vai se apresentar ao pároco.

No ano seguinte, ele é chamado a Cracóvia, à paróquia de São Floriano, e ali o ar é outro. O regime comunista impõe à vida pública um ateísmo militante, que combate a fé. Toda quinta-feira, o vigário paroquial Wojtyła reúne universitários e lhes fala da existência de Deus e da alma. No verão de 1951, o arcebispo Eugeniusz Baziak, que agora governa a diocese, o orienta para o estudo e o ensino, e isso lhe tira tempo com as pessoas. Wojtyła resume tudo em duas palavras, «Me custou». Desde então, ele procura não deixar que os livros o façam esquecer que é sacerdote.

Esse mesmo arcebispo o ordena bispo em 1958, na catedral de Wawel. Já como bispo, Wojtyła viaja a Roma para o Concílio Vaticano II, a grande assembleia dos bispos do mundo inteiro.

Em novembro de 1962, em plena assembleia, ele escreve em latim uma carta ao Padre Pio, o frade capuchinho de San Giovanni Rotondo, no sul da Itália. Pede que ele reze por uma mãe de quarenta anos, com quatro filhas, que vai ser operada de um câncer.

Segundo contou o colaborador que leu a carta ao frade, o Padre Pio disse ao ouvi-la, «A isso não se pode dizer não». Onze dias depois, o bispo lhe escreve outra carta, desta vez para agradecer. A mulher ficou curada de repente, antes da operação. O Padre Pio a lê e diz apenas, «Graças sejam dadas a Deus».

A mulher é Wanda Półtawska, amiga de Wojtyła por toda a vida.

Com a carta de agradecimento já enviada de Roma, o bispo volta a Cracóvia, onde alguns moradores pedem há anos o que o regime lhes nega, uma igreja.

A cidade sem Deus

A cidade se chama Nowa Huta, e o regime a construiu ao lado de Cracóvia como modelo de cidade operária socialista. Nos seus projetos há moradias para os trabalhadores e nem um único templo. É uma cidade pensada para viver sem Deus.

Os moradores não aceitam isso. Em 1959, as autoridades lhes retiraram a licença que já tinham para a igreja, mas no terreno destinado a ela havia uma cruz. Em 27 de abril de 1960, eles saíram para defendê-la diante dos que vinham arrancá-la.

O bispo Wojtyła abraça a causa daquela gente. Em 1964, o papa Paulo VI o nomeia arcebispo de Cracóvia, e no ano seguinte, depois que Wojtyła confia a paróquia do bairro a um novo pároco, as autoridades dão a licença. O Papa lhe dá então de presente uma pedra do túmulo de São Pedro para que seja a pedra fundamental do templo.

Em 14 de outubro de 1967, Wojtyła, já cardeal, cava ele mesmo os primeiros torrões. Depois vêm dez anos de obra, e as autoridades a atrasam de propósito.

Enquanto as paredes sobem devagar, Wojtyła volta com frequência a Kalwaria Zebrzydowska, o grande santuário de Nossa Senhora na sua diocese, aonde já ia quando menino. Percorre sozinho as suas trilhas e apresenta a Deus, na oração, os problemas da Igreja sob o comunismo.

Em 15 de maio de 1977, a cidade que foi planejada sem Deus finalmente tem a sua igreja. Mais de setenta mil pessoas a cercam quando o cardeal a consagra com o nome de Nossa Senhora Rainha da Polônia. É a igreja que ficou conhecida como a Arca do Senhor. Na homilia, Wojtyła diz à multidão, «Não podemos viver sem Deus. E queremos viver para Deus».

Lá dentro, o sacrário tem a forma de um globo terrestre e guarda um pedacinho de rocha da Lua, presente de Paulo VI. Perto dele há uma imagem da Virgem feita com estilhaços tirados dos ferimentos de soldados poloneses em Tobruk e Monte Cassino, duas batalhas da Segunda Guerra Mundial.

No ano seguinte, o cardeal de Cracóvia viaja a Roma com os outros cardeais para um conclave, a reunião a portas fechadas em que eles elegem o Papa.

De par em par

Sob os afrescos da Capela Sistina, em outubro de 1978, os cardeais estão reunidos para eleger o sucessor de Pedro. Num momento daqueles dias, outro cardeal se aproxima de Wojtyła. Ele tinha sido o reitor do colégio onde Wojtyła morou quando jovem, durante os estudos em Roma, e agora lhe diz em voz baixa.

«Dominus adest et vocat te», o Senhor está aqui e te chama.

Em 16 de outubro, Wojtyła é eleito, aos cinquenta e oito anos, e toma o nome de João Paulo II. Nesse mesmo dia, o cardeal Stefan Wyszyński, primaz da Polônia, o bispo que guia toda a Igreja do seu país, lhe diz «A tarefa do novo Papa será introduzir a Igreja no terceiro milênio».

Seis dias depois, a Praça de São Pedro se enche para a missa com que começa o seu serviço. O novo Papa lembra que Pedro chegou a esta cidade obedecendo ao seu Senhor. Explica que na Igreja todo poder é serviço e pede a Cristo que possa ser servo dos seus servos. Depois convida a não ter medo de acolher Cristo, e diz assim.

«Não tenhais medo! Abri, ou melhor, escancarai as portas a Cristo!»

Quem faz esse pedido é aquele rapaz que quebrava pedra em Zakrzówek para não acabar deportado, o mesmo que um dia, ao voltar do trabalho, encontrou morto o pai, o último dos seus. Diante da multidão, ele pede que se abram a Cristo as fronteiras dos Estados, os sistemas econômicos e políticos e os campos da cultura, e termina dizendo que só Cristo tem palavras de vida eterna. A cada 22 de outubro, dia da sua memória, a Igreja volta a ler essa homilia na sua oração daquele dia. No seu brasão, o novo Papa conserva o que já trazia como bispo, uma cruz de ouro, embaixo, à direita, um M que evoca Maria junto ao seu Filho crucificado, e o seu Totus tuus.

Uma semana depois, da janela, na hora do Angelus, a breve oração do meio-dia a Nossa Senhora, ele confia aos fiéis «O Rosário é a minha oração predileta».

Essa devoção a Nossa Senhora o acompanha para longe de Roma. A primeira viagem o leva ao México, diante de Nossa Senhora de Guadalupe, a quem ele reza uma oração composta por ele mesmo, que começa assim.

«Ó Virgem Imaculada, Mãe do verdadeiro Deus e Mãe da Igreja!»

Dois dias depois, celebra a missa no santuário dela. Abre a homilia com um «Salve, Maria!» e diz que os primeiros passos da sua peregrinação o levaram justamente ali. Em quase vinte e sete anos de pontificado, fará mais de cem viagens fora da Itália e reunirá os jovens do mundo nas Jornadas Mundiais da Juventude que ele mesmo começou. Mas, naquele primeiro ano, a viagem que mais pesa é a volta para casa. Em 2 de junho de 1979, véspera de Pentecostes, ele celebra missa na Praça da Vitória, em Varsóvia, numa Polônia governada pelo regime comunista. Diante da multidão, diz que não se pode excluir Cristo da história do homem em nenhuma parte do globo e que excluí-lo é um ato contra o homem. Termina pedindo ao Espírito Santo que desça e renove a face da terra, «desta terra!».

Dois anos e meio depois daquela missa com que começou o seu serviço, numa quarta-feira de maio, o seu jipe branco descoberto percorre a Praça de São Pedro, devagar, entre os peregrinos.

Irmão

Em 13 de maio de 1981, pouco depois das cinco da tarde, o homem que pediu a todos que não tivessem medo dá a volta de costume entre os fiéis antes da audiência geral. Levam até ele uma menininha. Ele a pega no colo por um instante e a devolve aos pais.

Instantes depois, ouvem-se disparos.

Ferido no abdômen, o Papa desaba dentro do veículo. As pessoas não conseguem acreditar no que acabaram de ver. Muitos caem no choro. Muitos outros se ajoelham ali mesmo e rezam com os terços que tinham trazido para que ele os abençoasse. No meio da multidão, há quem se lembre de que, em outro 13 de maio, sessenta e quatro anos antes, Nossa Senhora apareceu a três pastorzinhos em Fátima, uma aldeia de Portugal. Quem atirou foi um jovem turco, Ali Agca.

O Papa é levado ao Policlínico Gemelli, um hospital de Roma, e ali passa seis horas na sala de cirurgia.

Chega o domingo. Passaram-se quatro dias, e a ferida continua aberta. Do seu quarto, em ligação com a praça, ele reza com os fiéis a oração mariana do meio-dia, e a sua voz chega fraca ao mesmo lugar onde foi ferido. Antes de terminar, ele diz.

«Rezo pelo irmão que me feriu, ao qual sinceramente perdoei.»

Ao homem que quis matá-lo, ele chama de irmão.

A ferida, porém, não se fecha depressa. Em 3 de junho, depois de vinte e dois dias de hospital, o Papa volta ao Vaticano. Quatro dias mais tarde, na basílica de Santa Maria Maior, ouve-se gravado o que ele não pode ir dizer pessoalmente. É um ato de consagração escrito por ele mesmo, uma oração que coloca o mundo nas mãos de Nossa Senhora. Depois do atentado, ele também tinha pedido o envelope com a terceira parte do segredo de Fátima, a parte da mensagem daqueles pastorzinhos que a Igreja guardava sem publicar. Em julho, o envelope chega às mãos dele por meio da Secretaria de Estado.

A essa altura, ele já está de novo no Gemelli, porque em 20 de junho uma infecção o obrigou a voltar, e em 5 de agosto ele é operado pela segunda vez, uma cirurgia que se revela decisiva. Só em meados de agosto, três meses depois daquela tarde na praça, ele finalmente sai do hospital.

No jipe branco tinha ficado uma das balas.

A bala e a coroa

Exatamente um ano depois dos disparos, em 13 de maio de 1982, o Papa vai em peregrinação a Portugal. Em Fátima, diante da imagem de Nossa Senhora, ele reza a mesma oração que, em junho do ano anterior, tinha sido ouvida gravada em Santa Maria Maior, e com ela lhe consagra o mundo inteiro. Quando jovem, ele tinha se colocado nas mãos dela com o seu lema,

Totus tuus, todo teu, e agora chega diante da sua imagem com a vida que conservou na praça.

Numa visita do bispo de Leiria-Fátima a Roma, o Papa lhe entrega a bala que ficou no jipe, para que seja guardada no santuário. O que veio depois foi ideia do bispo. Aquele pedaço de metal que poderia tê-lo matado acabou engastado na coroa de Nossa Senhora.

Ainda resta o homem que disparou aquela bala. Da cama do hospital, o Papa o tinha chamado de irmão, e faltava saber se iria procurá-lo. Em 27 de dezembro de 1983, João Paulo II entra na prisão romana de Rebibbia e se encontra com Ali Agca, à vista de todos.

Ao sair, o Papa diz.

«Nós nos encontramos como homens e como irmãos, porque todos somos irmãos.»

Depois acrescenta que tudo o que acontece na vida deve confirmar essa fraternidade, que nasce do fato de Deus ser nosso Pai.

Como ele tinha saído vivo daquela tarde? Ele mesmo respondeu em 1994, em outro 13 de maio, de um quarto do Gemelli, onde estava internado de novo. Numa meditação para os bispos italianos, explicou assim o que aconteceu na praça.

«Uma mão materna guiou a trajetória da bala, e o Papa agonizante parou no limiar da morte.»

É o seu modo de olhar para aquele dia, com os olhos da fé. A Mãe a quem tinha se entregado ainda rapaz, em plena guerra, ele a reconhece agora no próprio corpo ferido.

Essas palavras chegam também a Portugal, ao convento das carmelitas de Coimbra. Ali vive a Irmã Lúcia, uma daqueles pastorzinhos de Fátima, já freira e muito idosa. Aquele envelope guardava a terceira parte do segredo, a visão que as crianças tiveram em 13 de julho de 1917 e que ela pôs por escrito em 1944, por ordem do seu bispo. Um anjo com uma espada de fogo grita três vezes «Penitência!». Depois, um bispo vestido de branco sobe uma montanha em direção a uma grande cruz, com outros bispos, sacerdotes e religiosos. Atravessa uma grande cidade meio em ruínas e reza pelos mortos que encontra pelo caminho. Lá no alto, enquanto o bispo está de joelhos aos pés da cruz, um grupo de soldados atira nele e o mata. Dois anjos recolhem o sangue dos mártires. Na primavera de 2000, quando lhe perguntam se aquele bispo é o Papa, a Irmã Lúcia responde de imediato que sim. Na visão o bispo morre, e o Papa da praça continuou vivo. Para a Igreja, isso mostra que o futuro não está escrito de antemão. E com a frase da mão materna ela se mostra totalmente de acordo.

Jesus, confio em Vós

O perdão que levou a Rebibbia, ele já o praticava antes em silêncio, com desconhecidos. Na Sexta-feira Santa de 1980, ao meio-dia, João Paulo II desce à Basílica de São Pedro, entra num confessionário e se senta para ouvir os fiéis que se aproximam para pedir perdão pelos seus pecados. Era a lição que tinha levado ainda jovem da velha igrejinha de Ars, e desde aquela Sexta-feira Santa ele volta a esse confessionário todos os anos.

No fim desse mesmo ano, assina uma encíclica, uma carta dirigida a toda a Igreja, sobre Deus Pai, aquele que é rico em misericórdia. Dá a ela esse nome em latim,

Dives in misericordia. O que as suas páginas dizem, ele vive a cada Sexta-feira Santa naquela caixa de madeira, uma pessoa depois da outra.

Essa misericórdia não espera só quem entra numa igreja. Ela também sai à procura dos que morrem sozinhos. Em fevereiro de 1986, na sua viagem à Índia, a primeira parada do Papa em Calcutá é Nirmal Hriday, a casa onde Madre Teresa e as suas irmãs cuidam dos moribundos. Ali o Papa diz que aquela casa dá testemunho da primazia do amor.

A misericórdia precisava também de um dia no calendário de todos. Na primavera de 2000, João Paulo II canoniza em Roma Santa Faustina Kowalska, uma religiosa polonesa cujo diário guarda a mensagem da Divina Misericórdia. Nesse dia, ele estabelece que, em toda a Igreja, o segundo domingo da Páscoa, o que vem depois do domingo da Ressurreição, passe a se chamar Domingo da Divina Misericórdia.

O Papa quis levar aquela mensagem à terra onde ele mesmo tinha nascido. Em 17 de agosto de 2002, volta a Cracóvia e dedica, no bairro de Łagiewniki, o novo santuário da Divina Misericórdia. A sua pedra angular foi trazida do monte Calvário, para lembrar sempre que o pecado pode ser perdoado. O Papa já está com oitenta e dois anos. Repete as palavras de Santa Faustina sobre a imensa misericórdia de Deus e confessa com ela que, fora dessa misericórdia, não há outra fonte de esperança para o homem. Tudo isso cabe em quatro palavras que até uma criança pode dizer, e ele as diz diante da multidão.

«Jesus, confio em Vós.»

Depois consagra solenemente o mundo inteiro à Divina Misericórdia, para que a mensagem de Santa Faustina chegue a todos os habitantes da terra. A quem o escuta, ele pede assim.

«Sede testemunhas da misericórdia!»

Termina com uma oração sua a Deus Pai misericordioso, na qual lhe confia o destino do mundo e de cada homem. Foi a sua última viagem à Polônia.

A casa do Pai

Dois anos e meio depois de Łagiewniki, a confiança que ele tinha pedido a todos precisa se sustentar no seu próprio corpo. Já em 1991, o seu médico tinha visto nele os primeiros sinais do Parkinson. Em fevereiro de 2005, ele volta a ser internado no Policlínico Gemelli de Roma, o hospital que o acolheu depois dos disparos, porque lhe falta o ar. Ele passa por uma traqueotomia, uma abertura na garganta para que possa respirar, e os médicos lhe pedem que não fale durante alguns dias.

Ao acordar, segundo contou depois o seu porta-voz, o Papa pediu por sinais um papel e escreveu.

«Mas o que fizeram comigo?»

Depois continuou escrevendo, com as duas palavras latinas que tinha feito suas ainda jovem, em plena guerra, para se entregar por inteiro a Maria.

«Mas eu continuo sendo sempre totus tuus.»

O corpo, porém, já não lhe obedece. Em 30 de março, ele aparece na janela do seu escritório, sobre a Praça de São Pedro, e abençoa a multidão sem conseguir dizer nada. É a última vez que a praça o vê.

No dia seguinte, pouco depois das onze, ele vai à capela para a missa e é sacudido por um calafrio violento. A febre dispara. Ele entra em choque séptico, uma infecção que passa para o sangue e faz o coração e a circulação falharem. Pede para ficar no seu quarto, e a sua vontade é respeitada.

À tarde, com os olhos semicerrados, celebra a missa ao pé da cama com os sacerdotes que o acompanham. Na consagração, quando o pão e o vinho se tornam o Corpo e o Sangue de Cristo, ele levanta debilmente o braço direito sobre eles. O cardeal arcebispo de Lviv lhe dá a unção dos enfermos, o sacramento que a Igreja oferece a quem está gravemente doente, e ao cair da tarde o Papa comunga.

Na sexta-feira, ele amanhece consciente e sereno. Celebra a missa bem cedo. Depois leem para ele as catorze estações da Via-Sacra, o caminho de Jesus até a cruz, e ele faz o sinal da cruz em cada uma. Em seguida, pede que leiam para ele a Hora Terça, uma das orações do dia, e passagens da Escritura.

Lá embaixo, a praça se encheu de jovens que rezam por ele. Pelo seu porta-voz, Joaquín Navarro-Valls, ficaram conhecidas as palavras que o Papa disse sobre eles.

«Eu vos procurei. Agora viestes me ver. Eu vos agradeço.»

No sábado, 2 de abril, por volta das três e meia da tarde, com uma voz que mal se ouve, ele fala em polonês a quem está ao seu redor.

«Deixai-me ir para a casa do Pai.»

Pouco antes das sete, entra em coma e já não acorda. Na penumbra arde uma vela pequena, como manda um costume polonês. Às oito, junto à cama, Stanisław Dziwisz, seu secretário durante quase quarenta anos, começa a missa da festa da Divina Misericórdia. Os cantos do quarto se misturam com os que sobem da praça.

Às nove e trinta e sete da noite, João Paulo II adormece no Senhor.

É a véspera do Domingo da Divina Misericórdia, aquele que ele mesmo tinha dado a toda a Igreja. Sob a sua janela, os jovens não vão embora da praça.

Santo subito

Atrás desses jovens chega o mundo. Em poucos dias, mais de três milhões de peregrinos passam diante do seu corpo, alguns depois de vinte e quatro horas de fila. Em 8 de abril, na Praça de São Pedro, o cardeal Joseph Ratzinger, decano dos cardeais, preside o funeral. Da multidão sobe um grito em italiano que se repete sem parar, «Santo subito!», santo já. Nesse mesmo dia ele é sepultado nas Grutas Vaticanas, sob a basílica.

A praça pedia pressa, e a Igreja escutou sem pular as etapas do caminho. Ratzinger, eleito Papa com o nome de Bento XVI, faz uma única exceção. Não espera os cinco anos que costumam se passar desde a morte, um prazo que serve para comprovar que a fama de santidade dura e se espalha. Em Roma e em Cracóvia são recolhidos os testemunhos de quem conheceu João Paulo II, e teólogos e cardeais estudam a sua vida. No fim de 2009, Bento XVI o declara venerável, isto é, reconhece que ele viveu as virtudes cristãs em grau heroico.

O que a Igreja olha nesse exame é a sua vida com Deus, e não o acerto de cada decisão de governo. Em 2020, a própria Santa Sé publicou um relatório sobre como Theodore McCarrick, um bispo norte-americano, tinha chegado a cardeal apesar das acusações sobre a sua conduta sexual. O relatório conclui que, no ano 2000, João Paulo II o nomeou arcebispo de Washington por decisão pessoal, com informações inexatas e incompletas de três dos quatro bispos norte-americanos que consultou. Quando o relatório foi publicado, um processo canônico já tinha declarado McCarrick culpado e o tinha reduzido ao estado laical.

Para beatificá-lo, a Igreja pedia ainda um sinal, uma cura devida à sua intercessão. Na França, a irmã Marie Simon-Pierre trabalhava como enfermeira numa maternidade até que o Parkinson, a mesma doença que o Papa tinha carregado por mais de uma década, a obrigou a deixar o trabalho. Em junho de 2005, uns dois meses depois da morte do Papa, ela lhe pede ajuda, e o Parkinson desaparece por completo. Em janeiro de 2011, Bento XVI assina o decreto que reconhece essa cura como devida à intercessão de João Paulo II.

Em primeiro de maio de 2011, Domingo da Divina Misericórdia, Bento XVI o declara beato, o passo anterior à santidade, na praça e diante de mais de um milhão de fiéis. Nunca antes um Papa tinha elevado aos altares aquele que o precedeu. Durante a cerimônia, a irmã Marie Simon-Pierre reza diante de uma relíquia do Papa.

Por ocasião daquela beatificação, o caixão de João Paulo II sai das Grutas e passa para a capela de São Sebastião, ao lado da Pietà de Michelangelo, onde os peregrinos do mundo inteiro rezam diante dele, sob o altar.

Naquele mesmo domingo, muito longe de Roma, na Costa Rica, uma mulher que os médicos tinham mandado para casa para morrer fica acordada para poder acompanhar a beatificação.

Estou me sentindo bem

O que tinha levado aquela mulher até aquela noite, quem conta é ela mesma, Floribeth Mora, mãe de quatro filhos, e o marido, Edwin Arce. Numa manhã de abril de 2011, Floribeth tinha acordado em casa com uma dor de cabeça terrível e vômitos. No Hospital Calderón Guardia, em San José, os médicos encontraram nela um aneurisma, uma lesão grave numa artéria do cérebro, e disseram que o ponto que precisava ser fechado era inacessível. Os dois se encomendaram a João Paulo II, e os médicos aconselharam levá-la para casa para esperar o fim.

Edwin saiu do hospital, sentou-se no chão e chorou, «Meu Deus, me ajuda! Karol Wojtyla, João Paulo II, não me deixem sozinho…!». Ele conta que então uma voz lhe repetiu duas vezes, «Não tenha medo, leve-a». E ele a levou para casa, onde os remédios a deixavam dormindo quase o dia inteiro.

Por isso, no domingo da beatificação, enquanto a família vai ao estádio onde a cerimônia é transmitida, ela se esforça para não dormir e pede ao Papa que a ajude. Não quer morrer. Quer estar com os filhos e conhecer os netos que estão a caminho.

Na manhã seguinte, ela vê numa revista João Paulo II com a mão num gesto que parece convidá-la a se levantar. Ela se levanta, vai até a cozinha e diz ao marido apenas isto, «Estou me sentindo bem». O neurocirurgião dela confirma depois que o aneurisma desapareceu.

Aquela cura passou pelo exame da Igreja. A comissão de médicos da causa, que só diz se uma cura tem explicação científica, não encontrou nenhuma, e depois teólogos e cardeais a atribuíram à intercessão de João Paulo II. Em 27 de abril de 2014, de novo no Domingo da Divina Misericórdia, o papa Francisco o canoniza na praça junto com João XXIII. Assim a Igreja o propõe a todos como modelo de vida cristã e como intercessor.

O rapaz que, num dia de guerra, voltou do trabalho e já não tinha mais ninguém aprendeu de joelhos a não ter medo. Aprendeu vendo o pai rezar à noite, e depois viveu isso estendido no chão da capela da sua ordenação e numa cama do Gemelli, onde perdoou com a ferida aberta. Quando pediu a uma praça inteira que abrisse as portas a Cristo, oferecia o que ele mesmo tinha comprovado, passo a passo, na sua própria vida.

Um dia, todos nós chegamos a um chão como aquele em que Edwin se sentou para chorar ao sair do hospital, e é ali que nós podemos aprender a confiar.

São João Paulo II, vós perdestes ainda jovem a vossa família e aprendestes na guerra a confiar em Deus. Ensinai-nos a não ter medo. Vós chamastes de irmão o homem que vos feriu. Alcançai-nos um coração capaz de perdoar. Acompanhai os doentes, os que choram os seus mortos e os que se sentem sozinhos, vós que carregastes a vossa cruz à vista de todos até o fim. Ajudai-nos a escancarar as portas a Cristo e a dizer convosco «Jesus, eu confio em Vós». Rogai por nós. Amém.

Fontes

  • Fontes primárias (1978–2026)
  • Juan Pablo II, Don y misterio (1996) vatican.va
  • Juan Pablo II, Homilía del inicio del pontificado (22-10-1978), en el Oficio de lectura vatican.va
  • Juan Pablo II, Homilía en el Santuario de la Misericordia Divina, Cracovia-Łagiewniki (2002) vatican.va
  • Benedicto XVI, Homilía de la beatificación de Juan Pablo II (2011) vatican.va
  • Sala Stampa della Santa Sede, Algunos datos significativos del Pontificado de Juan Pablo II vatican.va
  • Santa Sede, Crónica de los últimos días (Acta Apostolicae Sedis, 2005), según ZENIT (20-9-2005) es.zenit.org
  • Documentos eclesiásticos e estudos
  • Congregación para la Doctrina de la Fe, El mensaje de Fátima (2000) vatican.va
  • Congregación para el Culto Divino y la Disciplina de los Sacramentos, San Juan Pablo II, papa — Oficio de lectura (2011) — vatican.va
  • Santa Sede, Perfil biográfico de Juan Pablo II (2014) vatican.va
  • Oficina de Prensa de la Santa Sede, Breve Biografía de Juan Pablo II (2005) — vatican.va
  • Łucja Marek, Arka Pana. Pierwszy kościół w Nowej Hucie (2023) — Instytut Pamięci Narodowej, przystanekhistoria.pl
  • Alessandro Gisotti, Aquel 13 de mayo (2021) — Vatican News
  • Jesús Colina, La santidad de Juan Pablo II (2013) — Alfa y Omega
  • Jesús Colina, Habla la mujer que experimentó el milagro de san Juan Pablo II (2013) — Aleteia
  • Kathleen Hattrup, Lo que dice el informe vaticano sobre el ex cardenal McCarrick (2020) — Aleteia
  • ZENIT, Tras la traqueotomía, el Papa se alimenta normalmente y respira autónomamente (2005) — almudi.org
  • Contexto contemporâneo
  • León XIV, Ángelus del 11 de octubre de 2026 vatican.va

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quinta-feira, 29 de outubro · Evangelho

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Naquele tempo, no mesmo dia, aproximaram-se alguns fariseus e disseram a Jesus: “Sai e vai embora daqui, porque Herodes quer matar-te”. Ele lhes disse: “Ide dizer a essa raposa: Eis que expulso demônios e realizo curas…