
Figueiredo
João 20
A ressurreição de Jesus. Aparece a Madalena e depois aos discípulos. A incredulidade e confissão de Tomé.
1No primeiro dia porém da semana veio Maria Madalena ao sepulcro, de manhã, fazendo ainda escuro; e viu que a campa estava tirada do sepulcro. 2Correu pois e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos, onde o puseram. 3Saiu então Pedro e aquele outro discípulo, e foram ao sepulcro. 4Ora eles corriam ambos juntos, mas aquele outro discípulo correu mais do que Pedro, e levando-lhe a dianteira, chegou primeiro ao sepulcro. 5E tendo-se abaixado, viu os lençóis postos no chão, mas todavia não entrou. 6Chegou pois Simão Pedro que o seguia, e entrou no sepulcro, e viu postos no chão os lençóis, 7E o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus, o qual não estava com os lençóis, mas estava dobrado num lugar à parte. 8Então pois entrou também aquele discípulo que havia chegado primeiro ao sepulcro, e viu e creu; 9Porque ainda não entendiam a Escritura, que importava que ele ressuscitasse dentre os mortos. 10E voltaram outra vez os discípulos para sua casa.
11Porém Maria conservava-se em pé da parte de fora, chorando junto do sepulcro. E a tempo que ela chorava, abaixou-se, e olhou para ver o sepulcro; 12E viu dois anjos vestidos de branco, sentados no lugar, onde fora posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. 13Os quais lhe disseram: Mulher, por que choras? Respondeu-lhes ela: Porque levaram o meu Senhor; e não sei onde o puseram. 14Ditas estas palavras, olhou para traz, e viu a Jesus em pé, sem saber contudo que era Jesus. 15Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? A quem buscas? Ela julgando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. 16Disse-lhe Jesus: Maria. Ela voltando-se, lhe disse: Rabôni (que quer dizer Mestre.) 17Disse-lhe Jesus: Não me toques, porque ainda não subi a meu Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes: Que vou para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus. 18Veio Maria Madalena dar aos discípulos a nova: De que ela tinha visto o Senhor, e de que ele lhe havia dito estas coisas.
19Chegada porém que foi a tarde daquele mesmo dia que era o primeiro da semana, e estando fechadas as portas da casa, onde os discípulos se achavam juntos, por medo que tinham dos judeus, veio Jesus e pôs-se em pé no meio deles e disse-lhes: Paz seja convosco. 20E dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Alegraram-se pois os discípulos, de terem visto o Senhor. 21E ele lhes disse segunda vez: Paz seja convosco. Assim como o Pai me enviou a mim, também eu vos envio a vós. 22Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo: 23Aos que vós perdoardes os pecados, ser-lhes-ão eles perdoados, e aos que vós os retiverdes, ser-lhes-ão eles retidos.
24Porém Tomé um dos doze que se chama Dídimo, não estava com eles, quando veio Jesus. 25Disseram-lhe pois os outros discípulos: Nós vimos o Senhor. Mas ele lhes disse: Eu se não vir nas suas mãos a abertura dos cravos, e se não meter o meu dedo no lugar dos cravos, e se não meter a minha mão no seu lado, não hei de crer.
26E oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez dentro e Tomé com eles. Veio Jesus às portas fechadas, e pôs-se em pé no meio e disse: Paz seja convosco. 27Logo disse a Tomé: Mete aqui o teu dedo e vê as minhas mãos, chega também a tua mão, e mete-a no meu lado, e não sejas incrédulo, mas fiel. 28Respondeu Tomé e disse-lhe: Senhor meu e Deus meu. 29Disse-lhe Jesus: Tu creste, Tomé, porque me viste; bem-aventurados os que não viram e creram.
30Outros muitos prodígios ainda fez também Jesus em presença de seus discípulos, que não foram escritos neste livro. 31Mas foram escritos estes, a fim de que vós creiais que Jesus é o Cristo Filho de Deus; e de que crendo-o assim, tenhais a vida em seu nome.
