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FIDES VIVA
Ilustração: Marcos 14
Ilustração Fides Viva a partir de Andrea Mantegna, «The Agony in the Garden» · obra original

Figueiredo

Marcos 14

Junta-se o supremo conselho contra Jesus. A redoma de bálsamo. Traição de Judas. A Eucaristia. Agonia e oração de Jesus. Fogem todos os discípulos. Jesus acusado e ultrajado. Pedro o nega três vezes.

1Faltavam pois dois dias para chegar a Páscoa, em que se começavam a comer os pães asmos; e os príncipes dos sacerdotes e os escribas andavam buscando modo como prenderiam por traição a Jesus, para o matarem. 2Mas eles diziam: Não convém que isto se faça no dia da festa, por não suceder que no povo se excite algum motim.

3E estando Jesus em Betânia em casa de Simão o leproso, e sentado à mesa, chegou uma mulher que trazia uma redoma de alabastro cheia de precioso bálsamo feito de espigas de nardo, e quebrada a redoma, lho derramou sobre a sua cabeça. 4E alguns dos que estavam presentes indignaram-se lá entre si do que viam, e disseram: Para que foi este desperdício de bálsamo? 5Pois podia ele vender-se por mais de trezentos dinheiros, e dar-se este produto aos pobres. E murmuravam fortemente contra ela. 6Mas Jesus lhes disse: Deixai-a, por que a molestais? Ela fez-me uma boa obra; 7Porque vós sempre tendes convosco os pobres; para que quando lhes queirais fazer bem, lho possais fazer; porém a mim não me tendes sempre. 8Ela fez o que cabia nas suas forças; foi isto embalsamar-me antecipadamente o corpo para a sepultura. 9Em verdade vos digo: Onde quer que for pregado este Evangelho que será em todo o mundo, será também contado para sua memória o que esta obrou.

10Então se retirou Judas Iscariotes que era um dos doze, a buscar os príncipes dos sacerdotes, para lhes entregar a Jesus. 11Eles ouvindo isto, se alegraram; e prometeram dar-lhe dinheiro. E buscava Judas ocasião oportuna para o entregar.

12E no primeiro dia, em que se comiam os pães asmos, quando se imolava o cordeiro Pascoal, disseram-lhe seus discípulos: Onde queres tu que nós vamos preparar-te o que é necessário para comeres a Páscoa? 13Enviou ele pois a dois de seus discípulos, e disse-lhes: Ide à cidade; e lá vos sairá ao encontro um homem que levará uma bilha de água, ide atrás dele; 14E aonde quer que ele entrar, dizei ao dono da casa, que o Mestre diz: Onde é o aposento, em que eu poderei comer a Páscoa com meus discípulos? 15E ele vos mostrará um quarto alto, todo mobilado; e preparai-nos lá o que é necessário. 16E partiram seus discípulos e chegaram à cidade; e acharam tudo como ele lhes havia dito, e prepararam a Páscoa.

17E chegada a tarde, foi Jesus com os doze. 18E quando eles estavam à mesa e ceavam, disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que um de vós que comigo come, me há de entregar. 19Então se começaram eles a entristecer, e cada um de per si lhe perguntava: Sou eu? 20Respondeu-lhes Jesus: É um dos doze que mete comigo a mão no prato. 21E quanto ao Filho do Homem, ele vai segundo o que dele está escrito; mas ai daquele homem, por meio do qual será entregue o Filho do Homem; melhor lhe fora, se esse homem não houvera nascido.

22E quando eles estavam comendo, tomou Jesus o pão; e depois de o benzer, partiu-o e deu-lho, e disse: Tomai, este é o meu corpo. 23E tendo tomado o cálix, depois que deu graças, lho deu; e todos beberam dele. 24E Jesus lhes disse: Este é o meu sangue do Novo Testamento, que será derramado por muitos. 25Em verdade vos digo que eu não beberei jamais deste fruto da vide até chegar aquele dia, em que o beba novo no reino de Deus.

26E depois de cantado o hino, saíram para o monte das Oliveiras. 27Então lhes disse Jesus: A todos vós serei eu esta noite uma ocasião de escândalo; pois está escrito: Eu ferirei o pastor, e as ovelhas se porão em desarranjo. 28Mas depois que eu ressurgir, ir-vos-ei esperar a Galileia. 29Disse-lhe então Pedro: Ainda quando todos se escandalizarem a teu respeito, eu contudo me não hei de escandalizar. 30E Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje nesta mesma noite, antes que o galo cante a segunda vez, me hás de tu negar três vezes. 31Mas Pedro insistindo no mesmo, acrescentava: Ainda no caso de eu me ver precisado a morrer contigo, não te hei eu de negar. E o mesmo disseram também todos os mais.

32Vieram depois para uma herdade, chamada Getsêmani. Então Jesus disse a seus discípulos: Sentai-vos aqui, enquanto eu oro. 33E levou consigo a Pedro e a Tiago e a João; e começou a ter pavor e a angustiar-se em extremo. 34Então lhes disse: A minha alma se acha numa tristeza mortal; detende-vos aqui e vigiai.

35E tendo-se adiantado alguns passos, prostrou-se em terra; e orava que, se era possível, passasse dele aquela hora; 36E disse: Abba Pai, todas as coisas te são possíveis, traspassa de mim este cálix, porém não se faça o que eu quero, senão o que tu queres. 37Depois veio e achou os dormindo. Então disse a Pedro: Simão, dormes? não podeste vigiar uma hora? 38Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. O espírito na verdade está pronto, mas a carne fraca. 39E foi outra vez a orar, dizendo as mesmas palavras. 40E tornando a vir, achou-os outra vez dormindo, (porque tinham carregados os olhos) e não sabiam que lhe respondessem. 41E veio terceira vez, e disse-lhes: Dormi agora e descansai. Basta; é chegada a hora; eis-aqui vai o Filho do Homem a ser entregue em mãos de pecadores. 42Levantai-vos, vamos; eis-aí vem chegando quem me há de entregar.

43Ainda bem Jesus não tinha acabado de falar, quando chega Judas Iscariotes, um dos doze, e com ele uma grande tropa de gente armada de espadas e de varapaus, da parte dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas e dos anciãos. 44Ora o traidor tinha-lhes dado uma senha, dizendo: Aquele, a quem eu der um ósculo, esse é que é, prendei-o e levai-o com cuidado. 45E tanto que chegou, indo logo ter com Jesus, lhe disse: Deus te salve, Mestre; e deu-lhe um ósculo. 46Então eles lhe lançaram as mãos e o prenderam. 47E um certo dos circunstantes, tirando da espada, feriu a um servo do sumo sacerdote, e lhe cortou uma orelha. 48E respondendo Jesus, lhes disse: Como se eu fora algum ladrão, viestes com espadas e varapaus a prender-me? 49Todos os dias estava eu convosco ensinando no Templo, e não me prendestes. Mas isto acontece, para que se cumpram as Escrituras. 50Então desamparando-o os seus discípulos, fugiram todos. 51Ia-o porém seguindo um mancebo, coberto com um lençol sobre o corpo nu; e o prenderam. 52Mas ele largando o lençol, lhes escapou nu.

53E levaram Jesus a casa do sumo sacerdote; e se juntaram todos os sacerdotes e os escribas e os anciãos. 54Mas Pedro o foi seguindo de longe, até dentro do pátio do sumo sacerdote; e estava sentado ao fogo com os oficiais, e ali se aquentava.

55E os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho buscavam algum testemunho contra Jesus, para o fazerem morrer, e não o achavam. 56Porque muitos, sim depunham falsamente contra ele; mas não concordavam os seus depoimentos. 57E levantando-se uns, atestavam falsamente contra ele, dizendo: 58Nós-outros lhe ouvimos dizer: Eu destruirei este Templo, obra de mãos, e em três dias edificarei outro que não será obra de mãos. 59Mas esta sua mesma deposição não era coerente. 60Então levantando-se no meio do conselho o sumo sacerdote, perguntou a Jesus, dizendo: Não respondes alguma coisa ao que estes atestam contra ti? 61Mas ele estava em silêncio, e nada respondeu. Tornou a perguntar-lhe o sumo sacerdote, e lhe disse: És tu o Cristo, Filho de Deus bendito? 62E Jesus lhe disse: Eu o sou; e vós vereis ao Filho do Homem sentado à dextra do poder de Deus, e vir sobre as nuvens do céu. 63Então o sumo sacerdote, rasgando as suas vestiduras, disse: Para que desejamos nós ainda mais testemunhas? 64Vós acabais de ouvir a blasfêmia; que vos parece? A sentença que todos eles deram, foi que era réu de morte. 65Então começaram alguns a cuspir nele e a tapar-lhe o rosto e a dar-lhe punhadas e a dizer-lhe: Adivinha; e os oficiais lhe davam bofetadas.

66E estando Pedro em baixo no pátio, chegou uma das criadas do sumo sacerdote; 67E quando viu a Pedro que se aquentava, encarando nele, disse-lhe: Tu também estavas com Jesus Nazareno. 68Mas ele o negou, dizendo: Nem o conheço, nem sei o que dizes. E saiu fora, onde era a entrada do pátio, e neste tempo cantou o galo. 69E tendo-o visto outra vez a criada, começou a dizer aos que estavam presentes: Este é lá daqueles. 70Mas ele o negou segunda vez. E pouco depois ainda os que ali estavam, diziam a Pedro: Verdadeiramente tu és daqueles; porque és também galileu. 71E ele começou a praguejar-se e a jurar: Não conheço a esse homem de quem falais. 72E no mesmo ponto cantou o galo a segunda vez. E então se lembrou Pedro da palavra que Jesus lhe havia dito: Antes que o galo cante duas vezes, me negarás três vezes. E começou a chorar.

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quinta-feira, 29 de outubro · Evangelho

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